Segunda-feira, Dezembro 13, 2004
CONSIDERAÇÕES SOBRE OUTRAS FORÇAS
Se me encontrasses aqui ias estranhar. Eu conheço-te. Quando não concordas com o rumo que os corpos levam espaço fora ficas tensa e rígida e fixas melhor o teu corpo no lugar onde estás, cravando os dedos dos pés no chão, como se nos quisesses dar o exemplo de como assentar bem os pés na terra.
Irias logo querer saber: -Mas porquê assim...suspenso? Isso tem mesmo de ser?
Eu posso explicar. Eu sou um fora-da-lei... um fora das leis da gravidade...
Gosto de a ter a meu favor e flutuar sobre a urgência dos compromissos. Tirar o pé do chão e eliminar a partir daí todas as coincidências que nele viriam incidir.
Quantas vezes me aconteceu pela noite ir à janela ouvir a conversa complexa de cima da cidade, essa sim interessava-me, entre o espaço e o planeta terra. Uma realidade infinita cúmplice com o que se passava cá em baixo, de onde me arriscava a adivinhar a hora em que a vizinha saía...
Às um quarto para dez deixava-se passear pelo cigarro nas ruas iluminadas, só pelas iluminadas, balançando o passo porque assim chutava os problemas...
Às vezes, quando soprava o fumo olhava para o céu.
A gente deve é ser persistente e o resto é paisagem...!
Mal sabia ela que enquanto fixava os sapatos que percorriam o alcatrão menos nítido, a paisagem já tinha o destino marcado. As margens de um rio que ela não via comprimiam-se para o tornar violento e a chuva que estaria para vir já tinha sido há muito pensada por Eles (os que mandam na paisagem) para, a partir daí gerar uma infinidade de acontecimentos que se reproduziriam em respectivas consequências.
O meu previsto medo do previsto acabou por chegar e confirmar o fim de tudo. Tudo o que até então pensava não ter fim mas sim uma continuidade que se ia manifestando com o tempo, surpreendendo ao dobrar da esquina... E as coisas apareciam, materializavam-se, tornavam-se cada vez mais belas e completas mas desejadamente inacabadas....
E então o melhor de ti já não vinha aí porque tu acabaste. A minha vizinha também.
E daqui de cima as histórias ouvem-se para sempre e a luz vem de todos os lados alternada porque as estrelas são infinitas.
Irias logo querer saber: -Mas porquê assim...suspenso? Isso tem mesmo de ser?
Eu posso explicar. Eu sou um fora-da-lei... um fora das leis da gravidade...
Gosto de a ter a meu favor e flutuar sobre a urgência dos compromissos. Tirar o pé do chão e eliminar a partir daí todas as coincidências que nele viriam incidir.
Quantas vezes me aconteceu pela noite ir à janela ouvir a conversa complexa de cima da cidade, essa sim interessava-me, entre o espaço e o planeta terra. Uma realidade infinita cúmplice com o que se passava cá em baixo, de onde me arriscava a adivinhar a hora em que a vizinha saía...
Às um quarto para dez deixava-se passear pelo cigarro nas ruas iluminadas, só pelas iluminadas, balançando o passo porque assim chutava os problemas...
Às vezes, quando soprava o fumo olhava para o céu.
A gente deve é ser persistente e o resto é paisagem...!
Mal sabia ela que enquanto fixava os sapatos que percorriam o alcatrão menos nítido, a paisagem já tinha o destino marcado. As margens de um rio que ela não via comprimiam-se para o tornar violento e a chuva que estaria para vir já tinha sido há muito pensada por Eles (os que mandam na paisagem) para, a partir daí gerar uma infinidade de acontecimentos que se reproduziriam em respectivas consequências.
O meu previsto medo do previsto acabou por chegar e confirmar o fim de tudo. Tudo o que até então pensava não ter fim mas sim uma continuidade que se ia manifestando com o tempo, surpreendendo ao dobrar da esquina... E as coisas apareciam, materializavam-se, tornavam-se cada vez mais belas e completas mas desejadamente inacabadas....
E então o melhor de ti já não vinha aí porque tu acabaste. A minha vizinha também.
E daqui de cima as histórias ouvem-se para sempre e a luz vem de todos os lados alternada porque as estrelas são infinitas.
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A maioria das verdades, ou nos são indiferentes,ou nos fazem mal, Mas por certo, mais vale uma verdadeira tristeza do que uma falsa alegria.
Só a Arte e o Amor conseguem curar a vida vã e mentirosa quando nos tentamos furtar á gravidade da existência.
A.Comte-Sponville
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